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Resoluções de Guerra

Published on 15/02/2012 by in Fantasia, Textos

Resoluções de Guerra publicado originalmente em 15/02/2012 por Pedro Moreno  A lareira crepitando era o único som que preenchia o ambiente quando o mordomo bateu na porta de madeira escura. Phillips pensou em se levantar, mas logo desistiu da ideia imaginando que poderia ser desfavorável à imagem que decidira criar para sua visita. Manteve-se austero observando as labaredas ora ou outra beijavam os tijolos avermelhados que compunham a chaminé, sequer olhando para sua convidada que entrava nesse momento. Fingindo surpresa levantou-se, afinal era cavalheiro, e beijou a ponta dos dedos enluvados da Condessa Makute. Até pouco atrás, a figura que agora adentra a sala, vestida com um longo vermelho costurado à fios de ouro e bordados de prata com desenhos de ursos portando coroas, viera em sua liteira até a frente do castelo. O mordomo galante deu-lhe a mão como apoio durante todo caminho até a porta e enfim a deixou ali com o Phillips, o Barão do Aço. Aquele encontro poderia ser notado como algo casual por alguém desacostumado aos jogos da política, uma reunião entre poderosos para poderem mostrar a si e aos outros seu sucesso perante aos plebeus. Mas ali havia um motivo sincero para os dois compartilharem o mesmo recinto: A guerra. Desde que o homem sente a fagulha da ambição existe a guerra. Provavelmente quando o mundo estiver prestes a desmoronar estaremos na briga pelo mesmo motivo de sempre: Dinheiro. A desculpa pode ser território, religião ou ideais, mas no fundo apenas há guerra por

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Hoje vamos lutar!

Published on 09/01/2012 by in Crônica, Textos

Nessa semana diversos Dojôs espalhados pelo mundo recomeçam sua atividade. Lutadores de várias modalidades depois do recesso de começo de ano voltam a vestir seus esparadrapos, kimonos, faixas ou qualquer outro equipamento que usem para seu esporte. Mas gostaria de atentar à palavra lutador. Lutador, antes de tudo por definição de qualquer dicionário, é aquele que luta. Nesse momento você pode até pensar que esse texto nada te a ver contigo, afinal você pode nunca ter pisado em um tatame, nunca calçado luvas ou entrado em um ringue. Mas verdade que ressalta é que todos lutamos. A vida não é fácil, lutamos por empregos melhores, por dignidade, direitos, educação, saúde… Nossa briga por uma vida melhor é diária. Lutamos contra nossos sentimentos ruins, a falta de perspectiva e os abusos dos “superiores”. Todos nós diariamente vestimos nossos kimonos para ir ao trabalho e amarramos nossas faixas que representam a coragem e a experiência acumulada ao longo do tempo. Cumprimentamos pela manhã a entrada do tatame que é a nossa vida e tentamos derrotar a todo o custo nossos problemas. Porém a vida é geralmente mais forte que nós, conhece melhor a técnica e é capaz de nos derrubar quando sequer percebemos que esta fez a “pegada”. Nossa melhor chance é continuar se levantando a cada queda, nunca abaixaremos a cabeça diante do inimigo, pois temos certeza que ele nunca fará. Nesse momento todo cidadão deveria se espelhar no exemplo dos bons lutadores. Educação e gentileza ao entrar no combate. Humildade

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Feira de Antiguidades

Published on 10/10/2011 by in Suspense, Textos

Nádia odiava quando algum jornalista começava sua matéria no canteiro central dizendo “estamos na Avenida Paulista, a mais paulista das avenidas”. Estava no seu segundo ano de jornalismo e já compreendia que esse chavão era pura falta de imaginação. Hoje no metrô a caminho da famigerada quase disse em voz alta a bendita frase. Seus cabelos tingidos de vermelhos em madeixas brilhantes a beijar seus ombros e de vez em quando esconder seus olhos castanhos. O visual desleixado de calça jeans rasgada nos joelhos e camisa xadrez larga nem mais chama atenção na movimenta metrópole cheio de figuras estranhas em seu constante formigamento pelas calçadas. O destino é certo. No domingo a feira de antiguidades no vão do MASP é o lugar para se achar acessórios retrôs e pensar em histórias malucas de objetos cotidianos que um dia já foram queridos ou permaneceram esquecidos em alguma gaveta. Cerca de trinta barracas padronizadas de cor azul escuro enfileiradas com os mais diversos artigos de época Mal chega na feira, Nádia abre um sorriso encantador. Seus olhos rápidos passam pelas barracas até achar um camafeu, não tão certa quanto ao material ela pegou com delicadeza enquanto examinava os detalhes. Um busto de uma mulher de cabelos cacheados e efígie séria.   …   Natália está triste. Há três dias seu marido lhe esbofeteou dominado pelo álcool e macheza. A área ao redor de seus olhos logo ganhou cor escura com bordas amareladas. Doía só de pesar os dedos. Quando tomava banho a

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Boxeador

Published on 20/08/2011 by in Terror, Textos

Não há mais a gritaria da multidão, o ringue vazio ecoa a solidão dos deprimidos e derrotados. Souza enrola a bandagem na mão e deixa firme no pulso, por um momento fica pensativo enquanto toca o dente solto com a língua, presente dado por seu adversário na última luta, junto com o olho inchado e uma ferida que custa se cicatrizar: a derrota. Maldição que lhe sangra internamente toda vez que sua cabeça toca a lona. A idade avança a passos largos e sua experiência é maior, mas a força, tão importante no boxe, já não é a mesma. As cinco últimas lutas foram derrotas. Souza já está cansado de apanhar. Pendura as luvas já gastas sobre os ombros e segue para fora ginásio, do lado de fora a lua cheia ilumina a estrada vazia e melancólica, uma rua não asfaltada que segue com má iluminação por muitos quilômetros. O bairro já abrigara fábricas, escolas e casas, hoje um monte de imóveis abandonados, um bar suspeito e o ginásio são as únicas coisas presentes na região. Souza segue cabisbaixo pelo chão de terra até achar o cruzamento. Um poste com a lâmpada queimada serve de encosto, o boxeador senta no chão com o negrume a lhe cobrir e lá fica desejoso de tempos melhores. Na escuridão da noite, com a lua como testemunha, Souza permanece quieto, sentado no chão de terra tentando não se lembrar de como é sua vida. Até que ele aparece. Um homem alto com terno bem

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Construção

Published on 20/08/2011 by in Cotidiano, Textos

Em um morro particularmente alto, ficava o bairro mais abastado da cidade, depois dele, seguindo pela avenida, já era possível ver um conjunto de casas regulares, beirando a padronagem se não fosse uma ou outra modificação feita pelos moradores. Alguns adicionavam sacadas às janelas, outros criavam outro andar sobre o que era a garagem e havia aqueles que juntavam novamente as casas geminadas criando um só casarão. Dos poucos imóveis mudados, um se destacava pela falta de bom gosto. Uma caixa quadrada feita de cimentos e tijolos com três andares ainda sem pintura e janelas sem vidros. Uma pilha mal arrumada de areia logo na entrada indicava sua condição de estar ainda sendo construída. Logo que derrubaram duas casas recém compradas, uma ao lado da outra, os vizinhos já se perguntavam curiosos quem teria tanto dinheiro para derrubar tudo e começar do zero, depois de um ano de construção, nada foi respondido ainda. Alguns diziam ter visto o dono inspecionar a obra, outros argumentavam que era o engenheiro que o fazia. Um dos moradores do final da rua, até procurou nos arquivos da prefeitura quem era o dono da localidade, porém os documentos ainda não alterados não traziam soluções para as questões. Nessa semana nenhum pedreiro viera trabalhar, os burburinhos aumentaram, “É claro que não teria tanto dinheiro para bancar construção assim, se tivesse teria comprado casa no bairro alto que é mais cara.” Mas isso eram só suposições. Quando a casa ficara um semestre inteiro sem receber pedreiros, outro

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